Motorista por aplicativo, estuprador forçou jovem a fazer sexo oral

Ele a obrigou fazer sexo oral nele, tentou penetrá-la, mas ela resistiu à investida e ele recuou. Se ele tivesse consumado a penetração, teria sido feita sem o uso de preservativo. Depois da violência sexual, o estuprador deu uma ‘carona’ à vítima até a casa dela, no bairro do Farol, em Maceió, e disse para não contar nada a ninguém.

Os pais da moça foram os primeiros para quem ela revelou o que havia sofrido. Estudante do terceiro ano do ensino médio e de família classe alta de Maceió, a jovem de 17 anos solicitou um transporte por aplicativo para voltar de uma festa na noite da última sexta-feira (27) em Pescaria, bairro da capital.
Noivo de uma moça de fora de Alagoas, José Marco Horácio Lopes foi preso por policiais da Delegacia Especial de Investigação (DEIC), por volta das 14h do dia seguinte ao estupro, próximo de onde ele mora, no bairro de Antares. Somente há dois meses como motorista por aplicativo, ele não resistiu à prisão e contou ao coordenador da DEIC, delegado Fábio Costa, em depoimento, que estuprou a estudante porque ela estava embriagada e ele aproveitou a situação.

Até o  matéria, fechamento desta matéria não havia notícia policial ou da Justiça dando conta de outro crime da mesma natureza ou qualquer outro delito de Horácio, tornando-o réu primário.

“Segundo o estuprador, ele se valeu do fato de que a jovem estava embriagada e a levou para um lugar ermo no trajeto entre o bairro de Pescaria e o Farol, onde ela mora. Pediu para ela passar par o banco do passageiro e, a certa altura do caminho, parou o carro e fez a investida. Para a polícia, o de sexta-feira foi o primeiro crime cometido pelo acusado”, declarou Fábio Costa.

O blog fez contato com a advogada e presidente da ONG Centro de Defesa dos Direitos da Mulher Paula Lopes que, por meio de nota, comentou mais um caso de estupro em Alagoas:

“A cultura do estupro é uma prática de muitos homens que se inicia através da “permissão” que a sociedade dá em aceitar assédios, frases, piadas, as diversas violações sexuais, a tentativa e finalmente o estupro de forma concreta. Logo, a culpa não é exclusivamente do estuprador, mas também é da forma com que acreditamos que a vítima é culpada pela própria fatalidade, enfatizando frases como do tipo: “Mas sozinha uma hora dessa…”, ” Nossa, sozinha em um Uber e bêbada, estava querendo…”. Quando denominamos o acusado de “rapaz”, “trabalhador”, “Uber”, estamos tirando dele o peso de ser um estuprador confesso, e atribuindo uma forma de olhar mais sensível para um criminoso; quando dissemos que foi o primeiro estupro, segundo dados da polícia, estamos também tirando dele o peso de que foi um crime, mas um crime que nunca será esquecido pela vítima, que terá que carregar marcas psicológicas para o resto da vida. Mais importante ainda é entender que ele é humano e passível de erros, e que como humano nada tira dele a perversidade com que cometeu este crime contra uma mulher em vulnerabilidade pelas circunstancias: mulher, 17 anos, bêbada, sozinha, madrugada, em um carro sob a direção dele. É tão difícil para sociedade compreender que um trabalhador pode ser um estuprador, quanto compreender que a vítima não tem culpa de ter sido estuprada: é contra esse tipo de pensamento que lutamos”, diz nota do CDDM.

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