Impedida de usar banheiro feminino, trans processa Shopping Pátio

Ela só queria fazer xixi, mas foi barrada na porta do banheiro feminino, arrancada de cima da mesa da praça de alimentação de onde gritava para denunciar a agressão e arrastada para fora do estabelecimento por pelo menos três seguranças e um bombeiro civil do Shopping Pátio, no bairro do Benedito Bentes, em Maceió, na noite da sexta-feira (3).

Em contato com o blog, por telefone, a trans paulista Lanna Helen, 31, revelou que já está com um casal de advogados e que vai processar o Shopping Pátio. Vídeos feitos por clientes do shopping circulam em redes sociais mostram a confusão. A restegue #shoppingpatiotransfobico esteve ente os assuntos mais comentados no Twitter deste sábado.

Há dois meses em Maceió, a trans não operada trabalha como cabeleireira e conta que essa foi a primeira vez que passou por uma situação como a que viveu no Shopping Pátio.

“Infelizmente, vivi esse constrangimento e agressão de ser arrastada pelo meio do shopping, com os braços postos à força para fora do estabelcimento por seguranças que me deixaram onde eles fazem carga e descarga de mercadoria e ainda sai em uma viatura da polícia para a Central de Flagrantes, segundo eles por desobediência e baderna. Mas lá mesmo, fiz o Boletim de Ocorrência e estou com um casal de advogados que vai me representar em um processo por danos morais e racismo, homofobia. Me parece que aqui em Alagoas há menos informação sobre os direitos sociais de uma pessoa trans como eu”, declarou Lanna Hellen.

Também em contato com o blog, o presidente do Grupo Gay de Aagoas, Nildo Correia, afirmou que a entidade também vai processar o Shopping Pátio na Justiça.

“Esse tipo de atitude não feriu somente a Lanna, mas a toda a comunidade LGBTQ+”, disse Nildo Correia.

Despreparados – Também por telefone, a advogada Rayanni Mayara da Silva Albuquerque, OAB/13230, conversou com o blog e confirmou a abertura de processo – ela vai atuar com o advogado e esposo José Carlos de Oliveira Ângelo, OAB/4642 – contra o Shopping Pátio pelos crimes de racismo, na área criminal, e danos morais pelo constrangimento sofrido pela cliente deles.

“Os seguranças do shopping deveriam estar preparados para agir em situações como da Lanna, mas, pelo contrário, agiram da forma que todos viram. Para que o crime de racismo, homofobia, entendimento pacificado pelo STF, em julgamento de junho de 2018, e o constrangimento que ela sofreu sejam reparados, vamos acionar a Justiça”, disse Rayanni Mayara.

 

Nota Shopping Pátio Maceió

O Shopping Pátio Maceió esclarece que ontem (03), a equipe de segurança foi acionada em socorro a uma ex-funcionária transexual de uma das lojas, que subiu em uma mesa da Praça de Alimentação. A ação foi necessária para garantir a segurança da própria pessoa e dos demais clientes. Informamos também que em nenhum momento a cliente, até este fato, foi impedida de utilizar as instalações do Shopping. Esclarecemos que não houve registro de nenhuma pessoa impedida de usar o banheiro. O Shopping Pátio Maceió segue apurando os fatos e se mantém firme no compromisso de atender com respeito e segurança a todos os seus clientes. O Shopping informa, ainda, que recebe e acolhe com respeito e empatia a todos os públicos independente de orientação sexual ou identidade de gênero, e reitera que respeita os direitos assegurados no Brasil a toda comunidade LGBTI+ e repudia qualquer restrição do direito de ir e vir.

1 Comentário
  1. Uma pena que as imagens são limitadas, mas o preconceito, discriminação e homofobia estão explícitos pois o shopping usou a força não deixando os clientes presentes decidirem.

    Acredito que, se a trans estivesse causando realmente “tumulto” o bom senso dos clientes faria com que eles mesmos a ignorassem e não há nada pior que a indiferença.

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