Agressor mordeu nariz da ex e monitorava até hora dela ir dormir e fazer xixi

Ele monitorava a hora de Maria (o nome é fictício) ir dormir, acordar, fazer xixi; ele também a manipulou para que fizesse ligação por vídeo em viagem dela com a avó, mostrando, em tempo real, o que estavam fazendo. Essa era parte da violência psicológica que a jovem, hoje com 20 anos, sofreu durante dois anos, em um relacionamento abusivo com o ex, da mesma idade, em cidade da Região Metropolitana de Maceió.

As agressões físicas: em uma delas, o rapaz mordeu e rasgou o nariz da ex-namorada. Questionada sobre o motivo do ferimento, Maria respondeu para o pai e a família que aquilo era uma espinha que havia infeccionado.

Hoje, formada e atuando como profissional da área de Saúde, Maria iniciou o relacionamento ainda aos 14 anos: eles se conheciam desde a infância. Dos 14 aos 18, eles namoraram, mas todo o entorno deles na escola e faculdade sabia das agressões motivadas pelo ciúme doentio, como conta ao blog o pai da jovem que, por acordo com o blog, não terá a identidade revelada.

“Quando comecei a perceber a mudança de comportamento de minha filha, pressionei-a; e ela, depois de muito tempo, das agressões físicas e psicológicas, abriu o jogo. Mas não foi um ato contínuo para acabar o relacionamento. Levou tempo, e hoje faz quase dois anos que ela se afastou do ex. Ficaram o trauma, ansiedade, depressão e a necessidade de terapia. Toda a família se sente abusada e violentada como a minha menina foi pelo ex-namorado”, declarou o pai de Maria, que, na faculdade, contou com a ajuda dos colegas de turma para evitar mais agressões do então namorado.

“Ele era tão doente que os amigos da minha filha no curso universitário sabiam que os grupos dela para os trabalhos não poderiam ter homem, isso mesmo, homem. Porque se houvesse, ela não participaria por conta do ciúme que acabava resultando em agressões”, conta o pai.

Os anos de relacionamento abusivo e agressivo fizeram Maria desenvolver verdadeira aversão à possibilidade de viver um novo relacionamento.

“Já apareceram rapazes de boa índole, encaminhados em suas vidas profissionais na vida de minha filha, mas ela simplesmente não quer nem ouvir falar em ter outro namorado. Tudo que ela viveu deixou marcas psicológicas profundas. Porém, acredito que a terapia e a religião, minha filha é bastante devotada, tudo isso um dia passe”, comentou o pai da menina que tomou a iniciativa de revelar o drama da filha para tentar ajudar outras pessoas.

“Entendo que é meu dever, uma obrigação mesmo, tornar pública a história de minha filha para que, de alguma forma, possa ajudar outras mulheres e famílias em casos de violência contra a mulher. Absolutamente ninguém está livre de ser vítima e é importante que sejamos amigos de nossos filhos, finalizou o pai da jovem.

Apesar de todas as agressões físicas e psicológicas, o caso nunca foi parar na polícia ou Justiça.

Dados – Dados da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP) apontam crescimento assustador de mais de 121% nos casos de feminicídios se comparados com 2018 e até 22 de novembro deste ano. Ainda de acordo com os dados da SSP, no ano passado 19 mulheres foram vítimas de feminicídios de um total de 69 delas assassinadas em Alagoas, enquanto que até novembro de 2019, 42 mulheres foram vítimas do mesmo tipo de crime, de um universo de 82 que perderem a vida no estado.

2 Comentários
  1. É muito relevante tratar dessa temática em dias tão sombrios. Trazer à tona essa invisibilidade da agressão às varias mulheres do nosso país. Parabéns ao jornalista Luciano pela ousadia do olhar dessa vítima.

  2. Meu Deus do céu, as mulheres têm que sair desse tipo de relacionamento no primeiro sinal de abuso, não pode deixar chegar a esse ponto…….

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